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25 de jun de 2017

AD Perus



Por Maxwell Fajardo *

   O Ministério de Perus é atualmente um dos ramos da Assembleia de Deus que mais tem aberto congregações em diferentes locais do país. O Ministério conta atualmente com cerca de 1100 congregações espalhadas por 23 estados do Brasil e mais 17 outros países.

   Com sede no bairro de Perus, periferia de São Paulo, o Ministério completará em 2012 seu 66º aniversário de fundação. Apesar do grande número de congregações e abrangência no território nacional, o Ministério de Perus nunca recebeu grande atenção na historiografia oficial assembleiana, embora o nome de seu fundador, Benjamin Felipe Rodrigues tenha aparecido com veemência durante os debates convencionais da 1ª Assembleia Geral Extraordinária da CGADB em 1989, quando os pastores e evangelistas do Ministério de Madureira foram desligados da Convenção Geral.

   O Pr. Benjamin assumiu a igreja na região de Perus em 1950. Na época de sua chegada, a igreja resumia-se a um pequeno salão onde se reuniam não mais que duas dezenas de pessoas. O trabalho era uma congregação do Campo de Madureira em São Caetano do Sul.
Pr. Benjamim (à esquerda): líder da AD ministério de Perus


   A partir da atuação de Benjamin a igreja expandiu-se no bairro e novas congregações foram abertas, recebendo por parte do Ministério de Madureira a autonomia de campo em 1959. Além de estender-se pelo bairro, a expansão do Campo de Perus alcançou as cidades vizinhas de Franco da Rocha, Francisco Morato, Mairiporã, Caieiras e Campo Limpo Paulista, não demorando chegar a cidades do interior de São Paulo e outros estados, começando pelo Paraná e Mato Grosso do Sul.

   Na década de 1980 o Campo de Perus entrou nos debates convencionais da CGADB a partir de mais um dos já antigos debates sobre a “invasão de campos eclesiásticos”. O debate começou a partir da abertura de uma congregação por parte do Campo de Perus na cidade de Cuiabá, região onde atualmente está um dos maiores templos do Ministério do Belém no Brasil. A abertura da igreja em Cuiabá veio como uma gota d’água nas já tumultuadas relações do Ministério de Madureira com a CGADB, motivando inclusive a convocação da 1ª Assembleia Geral Extraordinária da Entidade, quando o Pr. Benjamin foi descredenciado dos quadros da Convenção (Daniel, 2004: 527).

   O Ministério de Madureira demonstrou solidariedade ao Pr. Benjamin, provocando a reação da Mesa Diretora com o desligamento dos ministros de Madureira do quadros da Convenção, provocando a primeira grande cisão na história da Assembleia de Deus brasileira.
   Mesmo após a cisão, Pr. Benjamin não parou de abrir novas igrejas em diferentes cidades brasileiras. Presidiu o Campo de Perus até 2002, quando faleceu após uma longa luta contra diversos problemas de saúde. Foi substituído por seu vice-presidente, Pr. Elias Cardoso, que permanece até hoje à frente da igreja.

   O Campo de Perus continuou ligado ao Ministério de Madureira até 2006, quando, criou sua própria Convenção, passando a denominar-se Ministério de Perus.

   * Maxwell Fajardo é Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Doutorando em História pela UNESP. Professor de história na rede pública municipal de São Paulo. Ministro do Evangelho e professor da Escola Bíblica Dominical na Igreja Assembleia de Deus.
Referências: 
                             
DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleia de Deus no Brasil. Rio de Jaeiro: CPAD, 2004

FAJARDO, Maxwell Pinheiro. Pentecostais, migração e redes religiosas na periferia de São Paulo: um estudo do bairro de Perus. Dissertação de Mestrado em Ciências da Religião. Universidade Metodista de São Paulo: São Bernardo do Campo, 2011

Conselho Nacional de Missões da Assembleia de Deus Ministério de Perus: http://www.conampe.com.br . Acesso em 1º Maio de 2012

24 de jun de 2017

AD Ferreira


  No final dos anos 40, o irmão Antônio da Silva e esposa, que tinham aceitado a Jesus, no bairro de Vila Gomes, ofereceram sua residência, à Av. Gioia Martins, no bairro do Ferreira, para a realização de cultos. O ponto de pregação que funcionava na casa de irmãos na Vila Gomes, passou a funcionar ali. Os primeiros irmãos que ali congregaram foram Antônio da Silva e família, Pedro Policarpo e esposa, Osvaldo José da Silva e família, Hildo José da Silva e família, Marcílio Justo Domingues e família, João Leal e família, Eliza Galvane Borguette e família, Palmira Ferro Amado e família, Maria Bueno e família, e outros.
   A obra cresceu e o espaço ficou pequeno para acolher tantas famílias convertidas, por isso foi construído um salão de alvenaria de 35 m2 no terreno de propriedade do irmão Antônio, que foi inaugurado no ano 1951. A congregação permaneceu nesse local por cerca de 13 anos, onde se desenvolveu com a chegada de outras famílias e muitos que se convertiam.
   O Pr. Alfredo Reikdal, enviou alguns obreiros para cooperarem no trabalho. Vieram os irmãos: Pedro Tavares, Manoel Garcês, Domingos Porto, o diácono Emílio e sua esposa irmã Carmela, que tocava violino louvando a Deus. Essa irmã foi quem ensinou as primeiras notas musicais, vindo, posteriormente o irmão João Francisco, conhecido como “João do Coro”, que foi o professor de música do Ferreira, sendo ele o fundador do Coral “Grata Nova” e da Banda de Música, que hoje é nossa orquestra.
   No final dos anos 50, o salão da Av. Prof. Gióia Martins ficou pequeno demais porque o número dos que se convertiam não parava de crescer. Foi quando o Pr. Alfredo Reikdal, ouvindo o clamor dos irmãos do ferreira, comprou uma tenda de mais ou menos 190 m2, que foi armada em um terreno alugado na Av. Prof. Francisco Morato esquina com a Rua Manoel Jacinto, no bairro de Vila Sônia, onde permaneceu somente por algumas semanas.
   Nessa época, “o inimigo”, vendo que o evangelho pregado estava levando muitas almas a Cristo, usou um de seus “obreiros da impiedade”, que incendiou a tenda, da qual só restaram cinzas. Mas o inimigo não conseguiu intimidar o povo de Deus, que mesmo sobre as cinzas da tenda, dirigiram o último culto naquele lugar, cantando louvores a Deus, alegrando-se com Sua Santa presença e agradecendo–lhe pelo ocorrido.
   Com isso ficaram mais encorajados e saíram a procura de um lugar onde poderiam reunir-se. Deus então, preparou um salão, um pouco menor do que a tenda, na Rua Manoel Jacinto. Com o tempo o Pastor Alfredo Reikdal, vendo a dificuldade de espaço e o dinheiro gasto com o aluguel, determinou que se procurassem um terreno para comprar, onde se pudesse construir um templo.
   Foi encontrado um terreno no bairro Ferreira, na Av. Prof. Francisco Morato, que media 1.200m2. O negócio foi fechado com a autorização do Ministério do Ipiranga, terminando assim o primeiro desafio. O segundo era a construção do templo. A construção foi realizada sob o sistema de mutirão, sob a supervisão do irmão Benedito da Cruz, que era o mestre da obra e membro da igreja na época. Um grande obstáculo foi a falta de recursos financeiros, pois o Ministério do Ipiranga também estava em fase de construção do seu templo sede.
   Para solucionar esse problema foi vendido mais da metade do terreno comprado; e assim, no começo do ano de 1960 deu-se início à construção do primeiro templo, cuja área construída foi em torno de 192 m² (um salão de 12 x 16 m). Em 1962 já tínhamos vários candidatos para o batismo, e o Pastor Alfredo, autorizou que fosse improvisado um tanque batismal, e assim foi celebrado o primeiro batismo, pelo Pr. Ezequias Ribeiro (in memorian), vice-Presidente do Ministério do Ipiranga, na época. Foram batizados entre outros, os irmãos: Milton da Silva, na época com 16 anos e Carmo Amado, 15 anos.
   O dia 25 de Dezembro de 1964, com muitas dificuldades, foi inaugurado a primeira fase do templo, que ainda estava sem portas, vitrôs, forro, e com bancos cedidos pela sede no Ipiranga, que foram trazidos na véspera, sob um rigoroso temporal. Vários Pastores lideraram a obra nessa época, os quais são: Pr. Dutra, Presbítero Albino, Presbítero Sadraque, Presbítero Levino, e Pastor Gumercindo, atual vice-presidente do Ministério do Ipiranga.
   Em 14 de Agosto de 1968, a direção da Igreja em Ferreira passou para o Pr. Antônio Pinto Cavalcanti, vindo de Bauru juntamente com outros pastores, entre eles o Pr. Edgar Souza Brito. O Pr. Cavalcanti fundou então o Ministério em Ferreira e o presidiu até sua morte em 1985. A partir desta data o Pr. Edgar Souza Brito, passou à frente do Ministério. Hoje, pela bondade de Deus, estamos completando 53 anos do templo e 49 anos como Assembléia de Deus Ministério do Ferreira. 

23 de jun de 2017

AD Bom Retiro



História

(extraído do Manual Administrativo e Eclesiástico da ADBR)
   Começou em 1988. Precisamente dia 06 de março, um domingo, com a presença de pouco mais de 30 pessoas. O cartão de visitas daquela reunião foi o louvor dinâmico, animado, alegre, longe de ser comparado com o rito tradicional dos cânticos “assembleianos”. À frente, o pastor Jabes Alencar ostentava sua confiança de que estava obedecendo a um chamado divino. Convidou para aquela reunião o pastor Ivan Espíndola de Ávila que comentou sobre Isaías 54.2, e profetizou o “alargamento da tenda”. Foi o que aconteceu. Atraída pelo Espírito Santo e pelo perfil inovador do trabalho, uma multidão ia se somando à ADBR entre novos convertidos e desviados que retornavam para Cristo.
   Três meses depois do início da obra, Pastor Jabes iniciou o programa Mensagem de Esperança na rádio Morada do Sol, em São Paulo. Foi uma estratégia decisiva para a consolidação do Ministério. O programa foi uma ponte para muitas pessoas se filiarem à nova Assembléia, como resultado impactante das mensagens proferidas pelo jovem pastor. O templo localizado na Rua dos Bandeirantes 332, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, tornara-se pequeno para a quantidade de pessoas que compareciam às reuniões.
   Urgia encontrar um local mais amplo para acomodar a crescente demanda de irmãos e pessoas atraídos pela dinâmica forma de conduzir um culto de louvor e adoração ao Senhor. Uma comissão foi organizada – os homens da igreja – e, após ligeiras incursões pelas vizinhanças, encontraram aquela escura e suja oficina mecânica, ali na vizinha Rua Afonso Pena, nº 322. Contatos estabelecidos e acertados os detalhes de pagamento para o aluguel e lá na fria e úmida tarde de domingo, oito de julho de 1989 era realizado o culto inaugural da ainda jovem igreja (pouco mais de um ano), abrigando, naquela ocasião, cerca de mil pessoas, acotovelando-se para testemunhar o gigantesco crescimento da referida comunidade. Púlpito improvisado, cadeiras alugadas, jornais e pedaços de papelão no chão para tentar minimizar a umidade que vinha do solo ainda se ressentindo do banho de sabão e detergente que um punhado de abnegados e voluntários irmãos se esforçaram para aplicar no sábado anterior, retirando o excesso de óleo e graxa que marcava aquele chão da ex-oficina. Mas, a alegria era incontida: o espaço era muito maior que o anterior – que comportava, no máximo, cerca de 100 pessoas – e este podia receber pelo menos por volta de 600 pessoas sentadas. Agora era hora de comprar bancos, acarpetar o solo para isolar a umidade e criar espaço para os departamentos que começavam a se organizar.
   Pouco tempo depois a ADBR já carecia de dois cultos no domingo à noite, às 17 horas e às 19 horas, para conseguir reunir a quantidade de pessoas que compareciam. Fazia-se necessário um local maior. As frentes de ação da igreja, seus departamentos e empreendimentos exigiam mais espaço físico para distribuição das atividades. No dia 27 de novembro de 1996, no “Novembro da Renovação”, atividade que a igreja realizava em todo mês de novembro, o pastor Gineto Alencar, irmão do pastor Jabes, foi movido pelo Espírito Santo para convocar a Igreja para um ato profético: orar in loco pela compra de um galpão de propriedade da Companhia Antártica Paulista, de 8 mil m2, na mesma Rua Afonso Pena, 560. Naquela mesma noite a igreja se deslocou para o salão, proferindo palavras de ordem, clamando e profetizando a compra do local. Foi o que aconteceu, dias após.
   Seguiram-se dias em que tratativas foram feitas visando dar a entrada para a compra do imóvel. Principiavam-se as dificuldades. Estas, iniciais, foram superadas. Vieram as prestações mensais, pesadas, dificultosas, enfrentadas com muito sacrifício pelo povo da comunidade que verdadeiramente possuía a mesma visão do pastor Jabes. Campanhas, eventos, festividades, tudo era realizado com a finalidade de arrecadar fundos objetivando ultrapassar as barreiras da dívida mensal e, mais sério ainda, as temidas prestações maiores anuais.
   O novo galpão foi comprado e pago em prestações até o ano de 2004. Mas as atividades neste amplo espaço iniciaram em 19 de janeiro de 1997. Além dos cultos, eventos festivos como a Festa dos Estados e a Festa das Nações acolheram milhares de pessoas, vindas de várias partes do Brasil. Não poucas vezes a ADBR recebe pregadores renomados no cenário evangélico, mantendo sempre sua proposta de Unidade cristã e comunhão incondicional com as demais denominações evangélicas.
   O crescimento expressivo da Igreja fez-se notar no interior do Brasil. A notícia de um novo modelo de trabalho no segmento das Assembléias de Deus repercutiu e incomodou. No contexto das Assembléias de Deus, a ADBR foi um marco da mudança de paradigmas e abriu a discussão entre os assembleianos tradicionais sobre valores bíblicos e imposições humanas de costumes.
   Em todo o país, especialmente entre o público jovem, ouviu-se falar sobre esta igreja, sua forma aberta de culto, sua liturgia inovadora, a alegria, a introdução de palmas e danças embalando os cânticos, a quebra de costumes até então cristalizados pela liderança conservadora. A ADBR desbravou um caminho pelo qual muitos líderes viriam a passar, e influenciou diretamente a mudança do perfil de muitas igrejas evangélicas Assembléias de Deus pelo país afora. Hoje, em muitas cidades brasileiras, mesmo tendo que resistir aos líderes mais conservadores, muitos pastores da Assembléia de Deus abriram mão de costumes como a proibição do uso de calças cumpridas para as mulheres, corte de cabelo, uso de adereços, e implantaram novos elementos no culto, como palmas e coreografias.
   A metodologia de trabalho da ADBR desperta a atenção de pesquisadores e sociólogos: já foi objeto de estudo para construção de teses sociológicas. Uma delas apontou a ADBR como um ícone de alteração das características tradicionais.
   O conjunto de fatores, partindo da dinâmica dos cultos até os aspectos metodológicos de administração, favorece diretamente a expansão do Ministério Bom Retiro. A cada ano, o número de igrejas filiadas aumenta significativamente, tanto através de igrejas co-irmãs que se unem ao ministério ou da implantação direta da ADBR em outras localidades.
   É assim que a Assembléia de Deus Bom Retiro vai se firmando no cenário evangélico com expressão nacional e internacional. Nacionalmente, a ADBR desenvolve uma estratégia antiga, mas nem por isso desatualizada, para conquistar novas vidas para Cristo – trata-se das Cruzadas Evangelísticas Impacto de Fé. A Cruzada acontece normalmente ao ar livre, com acesso gratuito, onde o Evangelho é pregado com a intrepidez delegada pelo Senhor Jesus: centenas de pessoas se convertem a cada Cruzada. No âmbito internacional, é concorde no Ministério a missão de estender suas ações evangelísticas para todo o mundo. E isso o será possível graças a esta visão ousada do ministério bem assim sua dinâmica de trabalho – enérgica e envolvente.