Temos um altar



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  1. o longo da Bíblia, várias passagens contam que homens de Deus erigiram altares ao Senhor. Era uma maneira de adorar a Deus, estabelecer pactos com ele, celebrar alianças ou deixar marcos que lembrassem às gerações futuras os grandes feitos que o Senhor operara entre o seu povo. Ao observarmos a trajetória dos patriarcas hebreus Abraão, Isaque e Jacó, observamos que eles levantavam altares quase que continuamente, tendo cada um deles sua motivação espiritual.
  2. Sob o ponto de vista espiritual, o altar representa lugar de sacrifícios. É ali que devemos tomar nossas decisões e fazer nossas escolhas. No livro de Provérbios 22.28, encontramos uma advertência: “Não removas os marcos antigos que fizeram teus pais.” O altar é uma posição espiritual, onde ouviremos a voz de Deus e iremos sacrificar tudo aquilo que possa estar desagradando ao Senhor. Altares são marcos importantes.
  3. As Escrituras mencionam vários tipos de altares.
  4. Há, por exemplo, o altar das decisões. Em Gênesis 12.7-8, está o seguinte relato: “Apareceu o Senhor a Abraão e lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Ali edificou Abraão um altar ao Senhor”. Naquele momento, Abraão estava indeciso quanto ao rumo que deveria tomar. Ele tinha que decidir se iria para Betel – a casa de Deus – ou se haveria de seguir para Ai (lugar de destruição), uma simbologia das propostas enganadoras do mundo natural. As nossas decisões precisam ser tomadas sobre o altar que edificamos ao Senhor, e no tempo em que devem ser tomadas.
  5. O altar pode ser também o lugar de ceder. Segundo Gênesis 13.14-18, “Abraão, mudando as suas tendas, foi habitar nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom, e levantou ali um altar ao Senhor.” Uma das maiores dificuldades da natureza humana é a capacidade de ceder. Isso se torna ainda mais difícil quando a pessoa está correta aos seus próprios olhos. Aquele episódio bíblico narra o que Abraão fez logo depois de separar-se de Ló. Fora uma escolha difícil – ele acabara de entregar o melhor para Ló, mesmo sabendo que este não merecia o que estava recebendo. Somente sobre o altar do ceder receberemos a capacidade para sacrificar o lado egoísta que há em nossa natureza adâmica. É nesse altar que podemos ouvir a voz de Deus e ser fortalecidos, para que, mesmo vendo injustiças, mesmo enxergando nas mãos do outro aquilo que Deus nos deu de direito, tenhamos o coração firme e em paz para esperar a ação do Senhor. No altar do ceder, Deus prova nossa capacidade de dizer sim à sua vontade, incondicionalmente.
Levitico - 6 - 8 : 13.
Este texto nos é interessante, na medida em que ele nos fala da manutenção do altar. Ele nos ensina como o altar deve ser mantido continuamente pronto para o sacrifício e nos fala também do ofertante. É nossa responsabilidade, como sacerdotes da Nova Aliança, manter o altar de Deus, em nossas vidas, em perfeito estado, como o Senhor nos orienta, em Sua Palavra.
  1. Quais são as orientações de Deus, que devermos seguir, para que o nosso altar se mantenha sempre pronto para Ele ?
1 - O fogo deve ficar acesso continuamente (vs. 9, 12,13).
  • O holocausto ficaria no altar durante toda a noite e o fogo estaria queimando-o. Pela manhã, o sacerdote tiraria as cinzas e colocaria mais lenha – a chama não deveria, nunca, apagar. O fogo era um elemento indispensável ao altar; altar sem fogo era altar sem a presença de Deus; altar sem fogo era altar em ruínas. Fogo sobre altar era a confirmação da aceitação de Deus do sacrifício recebido. No caso de Elias e de Manoá, Deus recebe os sacrifícios com fogo. O significado que isto tem para nós é tremendo. Fogo em nosso altar, no altar do nosso coração, significa fervor, dedicação, entusiasmo, a presença de Deus sentida. Como esperar que Deus se empolgue com nosso culto, se não nos empolgamos com Sua presença. Eu não estou falando de formas externas de culto, não estou falando de cultos avivados, pentecostais ou tradicionais; estou falando da indiferença que, às vezes, recai sobre nossa adoração, a ponto de tornar nossa estadia na igreja um compromisso social, ao invés de um ato de adoração. Como um Deus vivo pode receber uma adoração sem vida? Jo 15.4 nos ensina que a falta de fervor e devoção é também falta de temor. Algumas tempestades da vida podem apagar o fogo de nosso altar. O excesso de cinzas podem apagar o fogo de nosso altar.
2 - O ofertante deve se vestir com as vestes da santidade (vs. 10).
  • Era este o que o linho simbolizava, a santidade. Se quisermos manter nosso altar em ordem, precisamos nos vestir com as vestes da santidade. Palavras como separação, consagração e dedicação são chaves para entendermos o que é santificação. Como alguém, que não é separado deste mundo para glorificar a Deus, pode desejar que o Senhor receba seus sacrifícios? Como alguém, que não é consagrado e dedicado ao Senhor, pode almejar a presença de Deus em sua vida?
3 - O ofertante deve levar as cinzas para fora (vs. 10, 11).
  • As cinzas são as sujeiras que se ajuntam no altar. Para o altar estar pronto para o sacrifício, elas devem ser levadas para fora todos os dias. Que significado tremendo para nós! Isto aponta para a confissão de pecados a Deus, para a restauração da comunhão com os irmãos e para a limpeza de nosso coração, em relação a todos os sentimentos ruins. Levar as cinzas para fora é libertar-se das culpas do passado, abrindo oportunidades para que novas experiências com o Senhor tenham lugar.
Conclusão: Com estes cuidados, nosso altar estará sempre pronto para que, nele, possamos oferecer e servir a Deus com sacrifícios agradáveis.

FONTE: PASTOR NILTON JORGE