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Multiplicação dos Pães e dos Peixes

Por Silvio Dutra
João 6
VERSÍCULOS 1 a 14
“1 Depois disto partiu Jesus para o outro lado do mar da Galiléia, que é o de Tiberíades. 2 E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos. 3 E Jesus subiu ao monte, e assentou-se ali com os seus discípulos. 4 E a páscoa, a festa dos judeus, estava próxima. 5 Então Jesus, levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pão, para estes comerem? 6 Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia de fazer. 7 Filipe respondeu-lhe: Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco. 8 E um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe: 9 Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos? 10 E disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil. 11 E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos pelos que estavam assentados; e igualmente também dos peixes, quanto eles queriam. 12 E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca. 13 Recolheram-nos, pois, e encheram doze alcofas de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido. 14 Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo.”

   Cinco pães e dois peixes representam todos os nossos poucos recursos que são multiplicados nas mãos de Cristo. Ao ter ordenado que fossem recolhidas as sobras, o Senhor nos ensinou a sermos econômicos e a preservamos os Seus dons e bênçãos. Nós não podemos fazer um mau uso ou desperdiçarmos ainda que sejam as sobras daquilo que Ele nos tem dado, e que temos reconhecido que temos recebido dEle por causa do Seu grande poder e amor. Em todas as oportunidades Jesus procura ocasião para provar a fé dos Seus discípulos, tal como fizera com eles no monte perguntando a Filipe onde comprariam pães para alimentar toda aquela multidão. Quando Jesus fez tal pergunta a Filipe Ele já sabia o que haveria de fazer, mas queria abrir a visão dos Seus apóstolos para buscarem sempre nEle as respostas para todas as necessidades que se apresentassem diante deles, especialmente quando estivessem no Seu serviço. Filipe ainda pensava nas possibilidades humanas e naturais porque respondeu que eles não tinham nem de longe o dinheiro necessário para comprar uma tão grande quantidade de alimento. Mas Jesus não perguntou quanto seria necessário de dinheiro para comprar o alimento, mas onde eles comprariam. Não seria comprado na terra, mas no céu. O recurso viria do alto pela realização de um milagre de multiplicação daquilo que eles tivessem. Tal como fora feito no passado com a farinha da viúva de Sarepta por Elias, e com o azeite da botija, por Eliseu, na casa da mulher do profeta que havia morrido endividado. André deu um passo além de Filipe, mas ainda permaneceu na visão das possibilidades terrenas e humanas, e não conseguiu dar o salto da fé, porque procurou investigar se havia entre eles na multidão alimentos que pudessem ser repartidos entre todos, mas ficou desencorajado ao ver que apenas um rapaz tinha cinco pães e dois peixinhos, e questionou Jesus dizendo o que seria aquilo para tantas pessoas? Mas a busca de solução de André não seria inteiramente frustrada, porque ainda que ele dissesse o que era aquilo para tantos, seria justamente a partir daqueles poucas pães e peixes que toda a multidão de cinco mil pessoas seria alimentada. Filipe havia cruzado os braços ao ver o tamanho do problema e estava completamente certo pela lógica dos homens que o melhor a fazer seria reconhecer que aquele problema era de solução impossível em face dos recursos que eles possuíam. Mas Deus não age segundo a lógica dos homens e então como discípulo de Cristo, Filipe estava completamente errado segundo o método divino, que opera segundo a nossa fé, e não segundo os nossos recursos. André demonstrou que não tinha ainda uma fé grande no Senhor, mas ao menos tentou se esforçar para solucionar o problema que Ele havia proposto, e foi honrado apesar da sua pequena fé. Cristo sempre honrará os nossos esforços em prol do Seu reino, ainda que não saibamos as coisas grandiosas que Ele fará para atender às nossas presentes necessidades, e resolver aquilo que Ele mesmo nos solicitou. Jesus fará o milagre mas nós temos que nos esforçar para achar a solução. Nós temos que trabalhar para obter o nosso pão. Ele multiplicará os nossos recursos e os abençoará, mas nós temos que nos esforçar para obtê-los. André, Filipe e os demais discípulos haviam aprendido de maneira muito prática, para o crescimento da fé deles, que não há impossíveis para o Senhor. Eles estavam até aquele ponto ainda endurecidos e haviam esquecido o milagre da transformação da água em vinho nas bodas de Caná; tinham presenciado a cura de muitos enfermos e endemoninhados, tanto como aquela multidão que havia seguido Jesus até o monte, por estarem vendo como Ele curava os enfermos. Mas com este milagre Ele revelou a eles a Sua onipotência divina, porque nunca se viu antes tantos sendo alimentados com apenas cinco pães e dois peixes. Ao servirmos ao Senhor, sejam quais forem as nossas necessidades, devemos descansar no fato de que Ele é poderoso para realizar tudo aquilo que    Ele tiver solicitado a nós para fazer em Seu nome.